terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Coríntios


“Quando eu era pequenino, costumava falar como pequenino, pensar como pequenino, raciocinar como pequenino; mas agora que me tornei homem, eliminei as (características) de pequenino. Pois atualmente vemos em contorno indefinido por meio dum espelho de metal, mas então será face a face. Atualmente eu sei em parte, mas então saberei exatamente, assim como também sou conhecido exatamente. Agora porém, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor.”

Biblia Liv. 1 Coríntios, 11, 12, 13 de Apóstolo Paulo

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

O mistério das cabras.


Muito estranho foi o episódio das cabras que foram levadas para a serra e presas num palheiro abandonado!!! Será que anda o chupa cabras a solta em Bemposta??? Mais um mistério para desvendar ou para ficar em águas de bacalhau…

Breve História do Núcleo Sexto Empírico da Universidade da Beira Interior


Para conhecermos a origem do Sexto Empírico, teremos que redireccionarmo-nos até ao ano de 1973, quando oficialmente foi instituído o Instituto Politécnico da Covilhã, ora, o IPC estava seriamente vocacionado para cursos técnicos na sua maioria de engenharias, onde se aliava a industria dos lanifícios com a formação académica, este foi o primeiro passo na Covilhã, um caminhar humilde, mas sempre interessado na evolução, como veremos mais à frente.

Em 1979 o IPC passa a denominar-se Instituto Universitário da Beira Interior, onde se inicia uma reconversão quase total da Covilhã. As antigas fábricas dos lanifícios são convertidas em Pólos de ensino, e entramos já no ano de 1986 onde o IUBI passa a UBI – Universidade da Beira Interior.

O projecto lançado em 1973 começa a ganhar mais forma, e o país olha para esta cidade outrora deprimida devido à crise dos lanifícios como uma nova oportunidade, onde as condições de ensino são de facto um bom exemplo para outras instituições. A UBI demonstra um espirito jovem , vanguardista e arrojado, como é o caso de possuir a Licenciatura de Filosofia.Foi precisamente no ano lectivo de 2001/02 que esta ainda jovem universidade abre as portas à licenciatura de Filosofia. Foi a força encorajadora do Professor Catedrático António Fidalgo, que o curso manteve e mantem um corpo docente à altura das exigências dos tempos e dos alunos, pois bem, era o director do curso, o Professor José Manuel Santos.

Depois da Licenciatura fundada, os poucos alunos que inauguraram a licenciatura, sentiram que ainda existiam algumas lacunas no seio académico e pedagógico, entre estes alunos encontravam-se Daniel Lopes e o Morgado. Estes dois jovens alunos arrancaram num projecto que ainda hoje é o “tubo de ensaio” de todos aqueles que passam pelo núcleo. Depois das formalizações legais, o núcleo toma forma e é no dia 26 de Maio de 2003 que toma posse, é então Presidente: -Morgado e Vice – Presidente: - Daniel Lopes.

O nome do Núcleo, -Sexto Empírico, vem do facto deste Filósofo céptico apaixonar e servir de exemplo aos fundadores, na medida em que promove um alcance intelectual entre a verdade e a procura da mesma. São talvez estes os fundamentos que façam deste Filósofo uma real mas céptica analogia na demanda que o próprio projecto do núcleo pretende alcançar. A virtude do mesmo é a de alcançar o humanismo filosófico e o relacionamento dos recursos humanos na praxis, “porque nem só de palavra vive o homem”, mas da absolvição anti-metafisica que a natureza, as artes e as pessoas fazem da vida enquanto bios. Todos estes conceitos estavam regulados pelos princípios das necessidades, tanto da licenciatura do ponto de vista pedagógico e da UBI em relação às infraestruturas académicas e não só. Era urgente que “cepticismo” do núcleo fosse levado à frente para conseguir promover uma melhor interacção entre os alunos, corpo Docente, Departamento, Reitoria e a própria Cidade da Covilhã.

O primeiro logotipo do núcleo tinha como ideia o rosto de um professor da Licenciatura de Filosofia, como tributo aos seus ensinamentos sobre o cepticismo. Foi o Professor Rui Bertrand que expôs de forma apaixonante o cepticismo de Sexto empírico e isso foi muito significativo, também o contributo do mesmo professor na altura da fundação foi decisivo do ponto de vista emocional e de incentivo para o surgimento do mesmo. O segundo logotipo tem a ideia de inovação e vanguarda, de união e amizade. As cores azuis, são a denominação de cor de curso e de Departamento.

Foi no biénio de 2004 e 2005 que Daniel Lopes assumiu a Presidência, onde elevou o nome do Sexto Empírico a toda a comunidade académica e covilhanense, o Sexto Empírico já não era um núcleo qualquer e isso foi decisivo para o reconhecimento dos estudantes de filosofia como de toda a gente. Daniel transmitia o espirito do associativismo de forma genuína e pura. A aposta pedagógica e cultural valeu-lhe o titulo de Daniel – O Verdadeiro.

Nos dois anos seguintes, 2006 e 2007, Guilherme L. L. Castanheira, assumia a Presidência do Sexto Empírico. Para além de defender que existe uma Filosofia Social apta a dialogar com a diferença, foi precisamente neste diálogo que aliou a Licenciatura de Filosofia a outras Licenciaturas, onde se abraçava um conhecimento “orgânico” e experimental. Foi este o mote de diversas actividades. Via o papel do núcleo como diplomatas e não políticos. Acreditava na sinergia da “organização”.

No ano de 2008 a renovação total aconteceu. Joana Tarana toma posse e consagra-se assim, como a Primeira Mulher a ser Presidente da Direcção do Sexto Empírico. Já outra mulher tinha chegado a Presidente, mas da Assembleia, Mariana Ferreira, cuja determinação lhe era reconhecida. Apesar de tudo Joana Tarana lidera de forma muito honesta toda uma tradição. A vontade dela é delicada mas consensual para com todos os estudantes de Filosofia.

O projecto Sexto Empírico é apoiado por várias personalidades, por mecenas que também eles acreditam na vontade da diferença.Desde sempre que o núcleo colabora com Corpo Docente, onde desde 2006, é Director do Curso de Filosofia o Professor José Rosa, que é um pilar, tanto da formação académica como espiritual. O Sexto Empírico é colaborado institucionalmente por Docentes, esta sinergia e união são fundamentais.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008


«O homem torna-se muitas vezes o que ele próprio acredita que é. Se insisto em repetir para mim mesmo que não posso fazer uma determinada coisa, é possível que acabe por me tornar realmente incapaz de a fazer. Pelo contrário, se tenho a convicção de que posso fazê-la, certamente adquirirei a capacidade de realizá-la, mesmo que a não tenha no começo.»



Gandhi Mahatma

Ensaio sobre a Morte e Sobrevivência de Max Scheller


Max Scheller, no seu ensaio sobre “ Morte e Sobrevivência “, defende que a nossa morte é um facto presente na consciência humana de modo imediato e intuitivo. A certeza da morte depende de alguma experiência exterior, damos conta da morte pela intuição, ou seja somos mortais pelo facto de algum dia termos observado a morte nos outros. Mesmo que o homem fosse o único vivente sobre o planeta, ele saberia de alguma forma e por algum procedimento que a morte o espera. Assim, deduzimos que a certeza da morte é nos dada pelas marcas que ao longo da vida a idade vai deixando. Logo, o nosso conhecimento da morte se tivesse um carácter experimental, poderíamos morrer, estar enterrados por um determinado tempo no cemitério e ao fim de um tempo brotar para o sol que nós viu nascer. Se assim fosse, poderíamos dizer que tudo isto passava de um ciclo de morrer para renascer. Mas, a filosofia da morte de Max Scheller, vai ao encontro de uma realidade bem diferente, mesmo que o homem não conhecesse outros seres vivos, não percebesse em si os sintomas do envelhecimento, os elementos constitutivos das nossas percepções puras, lhe dariam indicadores. A morte encontra-se contida na estrutura do processo orgânico do homem. A realidade com que nós de deparamos é que a morte segue em igualdade com a sobrevivência, porque por pura circunstância do acaso podemos ter um acidente e morrer, como também podemos ter um acidente e lutar para sobreviver aos ferimentos deixados. Em todo o caso, é mais fácil morrer do que sobreviver e há mais liberdade no morrer do que no viver. Vou dar um exemplo, se perguntar a uma criança se ela prefere morrer ou viver, ela responderá que quer viver para poder brincar, pois os mortos não brincam. A criança muito cedo descobre as angústias e as obsessões da vida, encontrando às vezes soluções mágicas para justificar a morte. Note-se que, para as crianças, a morte é uma tomada de consciência relâmpago e aparece na maior parte das vezes associada às pessoas mais velhas.
O processo de consciência interior em Scheller consiste em três dimensões: presente, passado e futuro, em todas temos três espécies de actos: percepção, recordação e expectação imediata. Em cada momento da vida, vivenciamos “ algo que se distancia “ e “ algo que se aproxima “. As nossas recordações imediatas, como a nossas a nossas expectações imediatas são-nos dadas enquanto eficazmente actuantes sobre a nossa vivência do presente. Scheller apresenta a formula (t= p. + pr. + f.) ou seja o conteúdo total da vivência possui três dimensões (passado, presente e futuro), tendo cada uma determinada extensão. A extensão total aumenta com o desenvolvimento do homem, no seu percurso, de vida e numa direcção determinada e assim a dimensão do passado aumenta na medida em que decresce a dimensão do futuro. Deste modo, à medida que vamos vivendo o instante presente, vai diminuindo as possibilidades e vamos vivendo na expectativa de morrer, porque um dia a nossa hora vai chegar e será nesse instante que a carrasca nós encurtará o futuro. Portanto, na experiência da própria vida se dá-se simultaneamente uma experiência da morte, pois, ela é o elemento de todos os momentos, de modo que a morte não nos chega por acaso, ela é uma certeza intuitiva, é um facto da nossa existência, não pensem que vão ficar cá para semente. A este modo de repressão, Scheller adverte que se nos fosse constantemente dada a evidência que a morte nos persegue presentemente, a vida séria, por assim dizer, paralisada.
Os homens têm que morrer na sua própria morte e a única maneira de contornar este facto e tentar sobreviver na intuição que hoje, ele vive “ dia” até que subitamente, não haja mais um dia.



Quando não chove em Fevereiro, nem bom pão nem bom lameiro.